Hai-kai, Mario Quintana

"Rosa suntuosa e simples,
como podes estar tão vestida
e ao mesmo tempo inteiramente nua?"
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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Vaidades

À minha volta, as vaidades correm soltas como crianças.
Me rio delas e de mim, pois sou sua prisioneira.
Vaidosa morena, cobre teu corpo de jóias e exibe teu sorriso.
Vai, menina, dança com teus demônios, sê a princesa que gastou seis pares de tamancos em uma noite.
Vai, bruxinha, se enfeitices com o espelho, deixa teu rastro de loucura.
Toco a flauta em meu canto e adormeço minhas crianças.
Shhh...

2009

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Retalhos VI

Os dedos etéreos dos fantasmas,
aveludados, mexem em meus cabelos
e deixam marcas de fogo pela minha pele.

Gosto dos seus murmúrios
que assumem a forma de vento
e vão de encontro às árvores, me embalando.

“Vós, que sois o último vestígio de meus ancestrais,
guardai este corpo, último receptáculo de vossa semente.”
O meu corpo.

E, de noite, quando finda minha cegueira,
vejo seus rostos e ouço claramente suas vozes.
“Ide,” dizem “lança-te ao desconhecido e abraça teu destino.”

E me assusto, pois sinto o fio das Moiras
a apertar minha traquéia.
Os fantasmas sorriem e me puxam.

Acordo como criança tonta
a agarrar o ar noturno.

--

Antiigoo...

sábado, 1 de maio de 2010

A torre de mármore

"Quando cheguei atrasada à torre e descobri as tranças que a Princesa deixara para trás ao fugir com Cyrano de Bergerac, desesperei-me.
Arranquei-as da janela e me recolhi ao choro.
Quando inundei os campos e as vilas com meu rancor e deixei o solo infértil, as lágrimas secaram com as plantas.
E então me inclinei à janela e descobri as delícias de observar o mundo de um pedestal. Sem Príncipes, Cyranos, Narcisos ou Abismos.
Apenas as visitas eventuais de Ícaros, dos doces Pássaros da Noite tão sozinhos quanto eu.
Quando percebo que meu coração estúpido começa a ensaiar um Carnaval fora de época, troco o alpiste por chumbinho e fico sozinha novamente.
Melhor assim. Não devo esquecer que sou uma Bruxa e que assusto. Não devo esquecer que sempre haverá Princesas que usam gaiolas em vez de alpiste.
Não devo esquecer que estou em uma torre e, se me inclinar demais, será um longo caminho até o chão."

Esse texto é a origem de todos os textos envolvendo Cortes e Torres, para os que queriam saber.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A caçada

Risadas dos cortesãos
e pegadas na grama.

O “gato-mia” da Corte corre solto
e salto troncos caídos para escapar.

(Finalmente alguma vantagem esta roupa de ninfa me deu.)

Me encosto contra o musgo de uma árvore,
buscando proteção. O cetim arranha minha pele graças à respiração rasa.
-Graças à corrida.

E então surges sabe-se lá de onde. Não me movo,
se é para ser capturada que seja por ti.

Incrível! Mesmo o cetim me incomoda,
mas tu não dá mostras de estar embaraçado no veludo.

Se eu respirava rápido antes, agora o coração falhou uma batida.
Teus abismos! Teus abismos precedem as doces garras cruéis!

Espero o toque que, malicioso, adias.
Fecho os olhos com um suspiro e,

por fim, arrancas nossas máscaras.
Explosão! Agora sim as festas da Corte são divertidas.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Asfixia

Voltas para mim
em forma de sonho perverso,
perturbando minha noite com lembranças
de murmúrios do vento e tinta branca.

Sou comprimida por uma tecido quase roxo,
sujo de manchas. Estás ao meu lado
e podes me salvar do sufocamento,
mas percebo que é a utopia das tuas
mãos que me assassina.

Tão cruéis quanto o pano e as mãos,
teus olhos me perguntam
“sentes falta das aulas de dança?”

Sinto. Dançar sozinha não é mais
a mesma coisa desde tuas mãos e
tua máscara. Ainda quero arrancá-la.

Mas não te responderei, pois sei
que sorrirás em escárnio e abandonarás
o leito móvel sobre o qual estamos.

Prefiro ter tua crueldade a
não ter nem mesmo este sadismo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

No centro do nada

Eu tremia horrores e acho que você notou. Deve ser porque eu não tenho o Tato.

Depois de dias e semanas caminhando sobre brasas e nadando em geleiras, cheguei ao objetivo: o centro do nada.

Lá, fincada como uma bandeira de posse, estava a imagem de um deus que não é o nosso.

"Quem colocou isso aqui?" E só a simples ideia de alguém chegando antes de nós a um lugar que acreditávamos não existir me encheu de medo.

Creio que foi por isso que meus músculos ficaram tesos e meus pelos se arrepiaram. Olhei para você, esperando ouvir uma palavra de sobriedade.

Seu rosto estava todo molhado. Olhei para a abóbada sobre nós. Nenhum sinal de goteiras. Olhei para o chão a meus pés e vi marcas de pingos ao meu redor. Eu vazava água também.

Olhei de novo para o totem gasto de algum povo dilacerado como nós (se não o eram, o que faziam naquele lugar?) e tive a impressão de algo comprimido em meu tórax, onde deveria ficar meu coração se eu tivesse um.

Vim aqui buscar você, levar de volta para suas feras, para o povo que você deixou para trás.

E me escolheram entre os seus órfãos por eu ser oco e irredutível. Mas essa estátua de um material que eu não conheço me enfeitiçou e agora me sento ao seu lado para olhá-la e vazar até que só reste pó do que eu fui.

Sinto sede e provo de sua água. As gotas têm o sabor do oceano infindo que tive de cruzar para chegar ao nosso destino. Olho para o seu rosto (agora, mais vazio do que o meu) e me pergunto se esse travor vem de seu âmago ou é só mais um feitiço do estranho ídolo.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Trama

Desde que posso me lembrar, mamãe me alerta
quanto aos homens-aracnídeos. São muito sedutores, ela diz,
porém, é quase impossível escapar de suas teias.

Eles chegam de mansinho e elogiam sua beleza,
(ninguém nunca tinha me elogiado antes,
afinal, eu sou só preta e amarela, como qualquer outra operária)

te convencem a não trabalhar, te apresentam seus amigos cigarras
e, quando finalmente perceber, estará toda grudada em sua teia.
Mesmo que seu novo dono (porque você se tornou apenas uma escrava)

injete veneno em sua corrente sanguínea,
você não terá como escapar. Porque, depois do veneno é melhor ainda.
E você quer, mas não quer (e não sabe como) escapar.

Quer se livrar dele, porque já vê como tudo terminará,
mas teme como serão os dias sozinha.
E ele te deixa voltar para a colmeia,

e você, crédula, acha que isso é amor.
No fundo, ele apenas quer que você perceba que as outras te olham diferente
todos já apontam e sussurram por suas costas

dizendo: "Lá vai a futura refeição da aranha"

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Colar de pérolas

"Fui ao reino de Poseidon
e trouxe à superfície exemplares

de conchas marinhas.
Mesmo mortas e secas,

ainda guardava-as comigo
na esperança de que me dessem pérolas.

O deus zangado castigou meu furto
mandando do além(-mar) pedras salgadas

como lágrimas. Belas e tristes.
Quis jogar fora tal tristeza, mas,

egoísta que sou, furei as lágrimas das mortas,
uma a uma, e com elas decorei meu colo."


Eu não podia recusar um pedido especial, podia?

Bruxos

O corvo, que as Princesas juravam ser um rouxinol, continuou a visitar Morgana todas as noites. A bruxa, assustada com o súbito afeto morno, não teve coragem de trocar o alpiste por chumbinho. Assim, a janela da torre permaneceu aberta.

A cada noite, Morgana enxergava mais e mais o bruxo encantado, oculto sob as penas. E sentia mais frio quando ele alçava voo.
Chegou à conclusão de que bemqueria suas penas negras, bemqueria sua existência.
E ousou descer da torre, se misturar aos aldeões. Não entendia por que as donzelas olhavam com cobiça para o bruxo ao seu lado. Porque, por mais que Morgana estudasse o rosto sério de Merlin, via apenas o seu excorvo.

Mas, quando caía a penumbra, a bruxa voltava para sua fortaleza marmórea. Passava dias trancada e Merlin virava corvo de noite, voava até o poleiro e se queixava. Normalmente, quando Morgana enjoava de seu grasnar, fechava o vidro. Mas nunca, nunca conseguia por chumbinho.

Merlin queria que ela abandonasse a torre e passasse a se abrigar nele, mas Morgana tinha tanto medo...
Tinha medo de se debruçar demais e cair e medo de tornar-se desabrigada quando Merlin se cansasse dela. Ou ela dele.

Porque bruxos são assim, medrosos, Morgana decidia-se: ia até o fundo de seu quarto e corria à janela. Parava no parapeito.
Como saber que ia virar realmente mais um pássaro?

Merlin tinha que entender que ela nunca seria uma princesa.

Ausências

Me dói pensar em minhas falhas e meus vazios. Me dói lembrar de minha finitude.
Minhas ausências são como salas abandonadas de uma mansão em pedaços.
Passo minhas mãos por seus papéis de parede descascados e aspiro seu cheiro de mofo. Então, vem de dentro uma melancolia aguda, uma saudade do que não tive e do que não aconteceu.
Corro a medo, maldizendo suas correntes de ar e ressaltando o pó que cobre tudo.
Evito os cômodos por semanas, preferindo o calor dos jardins, mas de um jeito ou outro, volto a cruzar os corredores destelhados e buscar algo que esqueci naquelas salas.
“Não, não é possível. Não havia tanto pó assim...”

Ah, as ausências...

Amiúde

Ela o amava e tinha plena consciência disso. Como também tinha consciência de que era impossível continuar daquele jeito.
Tinha consciência de que se destruiriam como meteoros na superfície da realidade. Sabia que ele não a amava e continuava daquele jeito.
Ele dizia para afastar-se e ela amiúde repetia os mesmos erros. Ela gostava de errar. De banhar-se na dor da reconciliação e no medo de perdê-lo.
Ela gostava de sentir ciúmes, gritar, chorar. Ele era calmo, quieto, fiel. Brigavam, gritavam, juravam nunca mais se ver.
E, de noite, quando as lágrimas nos travesseiros secavam, ele voltava e ela o beijava, o mordia, o amava com toda intensidade,
com a intensidade que só os meteoros conhecem.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

queria ter composto elephant gun. assim como queria ter sido gabriel garcia marques ou clarice lispector. mas eu não sou

A bruxa e o corvo

Até o momento, sustentei a firme crença
de que minha torre era o melhor lugar do mundo

Para observar os povos abaixo
e as estrelas acima de mim.

Mas um corvo ignóbil,
sem canto doce ou plumas macias
veio até minha janela sem barras

(As princesas nunca acharam necessário prender-me de vez na torre,
considerando que nunca desfrutei da companhia delas ou me queixei de nada)

e tornou-se uma companhia das noites solitárias.
Mostrei-lhe meus mapas celestes e minhas poções,

divertindo-me com a companhia de um pássaro noturno
que, achava eu, nada queria de mim.

Tola fui ao não notar que o corvo era um bruxo que nem eu.
Tola não, estúpida.

E este bruxo encantou-me, prendendo-me em um estado ilógico.
Será apenas a solidão da torre? me indago.

Tem de ser a solidão da torre que me faz sentir assim.
Do contrário, por que me encantaria eu pelo corvo?

Sei que sou cleptomaníaca, mas não é possível
que minha obsessão chegue ao ponto de meras esmeraldas fazerem tal estrago.

Minhas forças se esvaem e minhas colegas bruxas
(incluindo na conta umas duas fadas e outras tantas princesas)
se riem de mim com a mesma velocidade que tentam me acordar.


Eu quero acordar!
Não é são gostar de taquicardia ou enjoos!

O corvo grasna, indiferente ao meu estado.
Fez ele de propósito ou estava tão sozinho quanto eu?

Não importa, busco a garrafa de vinho na adega
e me preparo para mais uma noite ilógica.

domingo, 5 de julho de 2009

Mascarados

"Quem és tu, se retirarmos tua máscara?" Pergunta-me
"Nada sou - te responderei - pois sou eu a máscara, sou eu o palco.
Denegri-me para que tu me amasses, porém não amas a máscara. Não amas quem realmente sou"
Vendi novamente minha alma por olhos que nunca buscaram os meus. Deuses! não aprendo com meus erros?
"Talvez ames o que me tornei agora, porém nunca descestes ao salão de baile, não é mesmo?
Imbecil! máscaras são por lá traje obrigatório!
Pare com isto! Não ouse tentar arrumar os cacos!
Quebrei-a! não te fez feliz no momento?
Quebrei-a e não sei usá-la mais."
E eu, que trajava as mais belas fantasias, cuja máscara era elogiada e invejada, me fiz em farrapos para igualar nossas vestes.
Estás feliz agora, Alice? ao mirar a porcelana despedaçada?

sábado, 23 de maio de 2009

Filhos de Gaia

"Sou filha da terra. Louca.
Louca de paixão pelo mar.
Nadar não sei,
minhas raízes nunca permitiriam.

Seguia fincada no chão,
com medo do que aconteceria
caso me arrancasse de minha cela.

Imersa em água,
meus galhos e folhas apodrecem.
Estou mutando.

Morrendo como me conhecia.
Recebo com a paciência que desenvolvemos
minha nova condição.

Saímos, livres,
do invólucro com o qual nos acostumamos.
A liberdade e o sal agridem nossos olhos.

Quem diria que os cadáveres de nossos irmãos
nos ajudariam a boiar?"

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Ana

"Que estás fazendo, Ana?
No que estás pensando, louca?
Que estás fazendo, insana?

Que estás fazendo, Ana?
Nesta roupa pouca,
nesta festa profana?

No que estás pensando, Ana?
Dançando, sorrindo,
esta carnavália febril?

Não vês as gentes chorando, Ana?
Brigando, pedindo,
sem pátria-mãe gentil.

Pára, louca!
Pára, profana!

Me deixes em paz!
E não dances, não pules,
nas covas dos meus ancestrais!"


Esse é sobre a minha loucura. Acho que somos todos loucos de um jeito ou de outro. Me inspirei em um poema que Mario Quintana fez sobre a dele e fiz esse aí sobre a minha. Dei um nome à ela, Ana.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Olhos vítreos

"Ninguém me vê
Ninguém me avisou
Não faz assim,
Não vai dar não.

O meu mundo em preto-e-branco,
Misturo as tintas, tento colorir,
Me embaraço na minha visão.

Me faço suspirar, que aflição,
E sair pra sessão,
Só pra fingir.

Vejo os outros brincando,
Eu gostando de ser tua sombra
E me multiplicar.

Nos teus olhos também posso ver
Minha tristeza te vendo passar.

Nessa sala fria,
Não há clarões, não há dias,
Depois de outros dias.

E no meu coração,
Passas em exposição,
Passas sem ver minha vigília
Catando a alegria que jorra pelo chão."

Sou apaixonada por Chico Buarque, estava apaixonada... Bien, é isso.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Ding dong dell, the pussy is in the well

"Para que Zaratustra nascesse,
Nietzsche teve de chorar.

Minhas lágrimas já se foram
E uma dor insistente de cabeça
Foi a única coisa que brotou.

Estou caindo em um abismo
No interior de minha confusa mente.
Estou apavorada,
Chegará ao fundo?

O choque com o chão de esperanças
[empedernidas
Tirará meus sentidos
Para sempre?"


Tem muito a ver com meu momento.
Estou assustada de verdade.
Na verdade, tinha vontade de postar outro poema aqui, mas prometi que o blog (e a vida) não giraria em torno de uma só pessoa.

domingo, 20 de abril de 2008

A bruxa e o rei

Eu estou tão, tão confusa.
Me encantei por você e tudo ao seu redor,
a purpurina usada no palco me cegou no contraste com a luz.

De novo, me perdi em sonhos ilusórios.
E agora, a vilã de meu conto de fadas foi coroada princesa
[e eu sou a bruxa.

Como vou lançar meus sortilégios sobre você?
Como vou lançar minha magia em seu sorriso?

Será que terei coragem de te arrastar para o abismo comigo?
Será que terei coragem de quebrar o encanto que cerca sua Princesa?

E você?

Será que verá a pequena nobre falida que se apaixonou pelo rei,
Ou apenas verá uma bruxa cruel tentando destruir todo um reino de fantasias?

E você?

Será que me salvará de minha própria torre,
Ou cravará a espada em meu quase morto coração ao enxergar apenas um dragão?

E nós?

Será que meu sortilégio nos fará pairar sobre o abismo,
Ou eu terei matado sua princesa à toa?

E nós?

Será que os outros entenderão meu amor calado e explosivo,
Ou tentarão quebrar nosso sortilégio, crendo ser algo demoníaco?

E eu?

Ao tocar sua imagem, ela se revelará sólida como imaginado,
Ou se esfacelará ante a realidade?

E eu?

Todas as lágrimas convertidas em veneno, finalmente serão vertidas e me purificarão
Ou apenas absorverei mais e mais desse veneno chamado inveja?

E eu?

Quando decidirei queimar esse livro?

segunda-feira, 10 de março de 2008

Sinestesia Anestésica

E eu achando que a noite nunca acabaria
E eu pensando que os dias eram sonho
E eu desacreditando que você viria
E eu te procurando feito cega
E você na minha frente
[eu ainda não via.

E eu achando que minhas lágrimas nunca secariam
E eu pensando que você era ilusão
E eu desacreditando meu desejo
E eu te procurando em mim mesma
E você dentro de mim
[eu ainda não sentia.

E eu achando que meu grito não sairia
E eu pensando que minha voz não existia
E eu te chamando desamparada
E você me acalentando
[eu ainda não ouvia.

E eu achando que o sentido se perdera
E eu pensando que o Norte era mentira
E eu desacreditando que você estava ali
E eu tentando te achar, perdida
E você me guiando
[eu tinha medo de não ser real.


Fase romântica...

Logo eu acho uns poemas da fase atual (política) e posto.

Lendo Cem Anos de Solidão. Gabriel García Márquez é phodástico.