Hai-kai, Mario Quintana

"Rosa suntuosa e simples,
como podes estar tão vestida
e ao mesmo tempo inteiramente nua?"
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

No centro do nada

Eu tremia horrores e acho que você notou. Deve ser porque eu não tenho o Tato.

Depois de dias e semanas caminhando sobre brasas e nadando em geleiras, cheguei ao objetivo: o centro do nada.

Lá, fincada como uma bandeira de posse, estava a imagem de um deus que não é o nosso.

"Quem colocou isso aqui?" E só a simples ideia de alguém chegando antes de nós a um lugar que acreditávamos não existir me encheu de medo.

Creio que foi por isso que meus músculos ficaram tesos e meus pelos se arrepiaram. Olhei para você, esperando ouvir uma palavra de sobriedade.

Seu rosto estava todo molhado. Olhei para a abóbada sobre nós. Nenhum sinal de goteiras. Olhei para o chão a meus pés e vi marcas de pingos ao meu redor. Eu vazava água também.

Olhei de novo para o totem gasto de algum povo dilacerado como nós (se não o eram, o que faziam naquele lugar?) e tive a impressão de algo comprimido em meu tórax, onde deveria ficar meu coração se eu tivesse um.

Vim aqui buscar você, levar de volta para suas feras, para o povo que você deixou para trás.

E me escolheram entre os seus órfãos por eu ser oco e irredutível. Mas essa estátua de um material que eu não conheço me enfeitiçou e agora me sento ao seu lado para olhá-la e vazar até que só reste pó do que eu fui.

Sinto sede e provo de sua água. As gotas têm o sabor do oceano infindo que tive de cruzar para chegar ao nosso destino. Olho para o seu rosto (agora, mais vazio do que o meu) e me pergunto se esse travor vem de seu âmago ou é só mais um feitiço do estranho ídolo.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Há um pinheiro na minha varanda

Há um pinheiro na minha varanda.
Acordo, olho e me pergunto:
“Por quê?”
Estamos no Brasil. O que um pinheiro faz aqui?

Um pinheiro de verdade, não de plástico
(como foi desde que eu me lembro)
Não sou católica, não sou do Norte,
Por que comemoro essa droga de Natal?

Natal de um menino que não existiu,
Filho de uma pseudo-virgem com uma pseudo-pomba.
Por que eu tenho que trocar presentes,

Ficar feliz e comemorar o 2009° aniversário
De alguém que nunca nem nasceu?
Sou ateia. E nem meus pais, ateus, acreditam nisso.

Na nossa crença, eu digo. Não nesse feriado comercial.
Porque eles fazem questão de acordar, sorrir e dizer a maldita frase.
“Na nossa crença”? Na nossa não-crença, Maria.

O que raios esse pinheiro faz aqui?

sábado, 27 de outubro de 2007

Início

Para começar, não sei começar um blog...
Nem sei por que fazer um blog. Acho que é porque quero desabafar e quero que leiam.
Quero começar falando sobre Halloween.
O grupo MV Brasil está protestando contra o Halloween com frases como: "Halloween é satanismo, o Brasil é um país cristão" ou algo do gênero.
Para começar: o Brasil NÃO É um país cristão. É um país laico, ou seja, a religião é separada do Estado. Sim, o Brasil é um país em que A MAIORIA da população é cristã. Mas isso não o torna cristão.
E vamos deixar umas coisas bem claras: eu não estou fazendo apologia aos E.U.A, não sou satanista, não sou wicca, não sou pesquisadora nem católica. Também não acredito em deus, mas respeito altamente quem acredita.
Deixando de lado as considerações, o Halloween é o OPOSTO de um ritual satânico. Halloween era o ano novo céltico, os celtas acreditavam que o "véu" entre o "mundo dos mortos" e o "dos vivos" ficava tão fino que era possível de atravessá-lo e os espíritos, bons ou ruins, vinham para esse mundo e as pessoas distribuíam doces para acalmá-los e guiá-los de volta ao seu mundo.
Quanto ao fato de comemorar Halloween no Brasil ser "globalizante" ou "colonizante", quase todos nós usamos jeans e all star. Cantamos rock'n roll e comemos hambúrguer. Eu também.
O Brasil é uma colônia portuguesa. Então, doces no São Cosme e Damião ou no Halloween? Tanto faz, quanto mais, melhor.