Hai-kai, Mario Quintana

"Rosa suntuosa e simples,
como podes estar tão vestida
e ao mesmo tempo inteiramente nua?"
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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Astronomia

O Sol reduziu de tamanho
E a Terra sentiu.

Às vezes penso que parei,
Às vezes percebo que ainda estou presa em sua órbita.

Plutão não é mais planeta,
Eu ainda sou um satélite?

Quero dançar a valsa de outros astros,
Mas seu campo magnético ainda me prende.

Não há mais marés ou fases lunares entre nós.
Só as crateras que os meteoros deixaram em mim.

Famélica

Tenho fome. Uma fome animalesca
E urgente que me queima as entranhas.
Uma fome de pele de homem, de carne rija
De homem, fome essa que me queima cada
Centímetro de corpo quando não saciada.

Por vezes, muitas vezes, queria mandar
Para o inferno a Moral e o Decoro
Ou ser apenas um bicho.
Digo, sou um bicho, mas tive
O azar de nascer na única espécie estúpida
Que mistura o desejo animal com um milhão
De outras coisas sem importância.

O pior é que sou tão malditamente
Humana e acomodada que sou incapaz
De apenas saciar a minha voracidade.
Não, também eu associo o desejo com
Outras coisas estúpidas.

Quando a fome aperta,
Os pensamentos pululam loucos,
Fantasias impudicas com qualquer um.
E, como uma anoréxica fecha a boca,
Me fecho, ignorando os impulsos,
Pela Moral, o Decoro e o meu Bem Maior.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Cristalização

Por acaso tens ideia do tamanho do buraco
Que se abriu quando a latência do gelo desfez-se?

Passou o inverno tropical (ou era o verão nórdico, no fim?)
E a parede tornou-se espessa e sólida.

Estou presa dentro do lago gélido.
Os ventos cessaram...

Acabou a primavera
E meu hálito morno inexiste,

Pois me afogo em golfadas de água semicongelada.
A água possui farpas que se fixam em meus órgãos.

Chamo-as de Fobos e Deimos.
Terias mentido em algum momento?

Terias sido leviano?
Por que retiraste minha máscara?

Por que tocaste em mim?

Há manchas de meus crimes por todo o meu corpo
E nem toda a água do mundo as fará desaparecer.

(Des)Equilíbrio II

Nossos números privados suplantam os antigos bailes.
Nem me olhas diante dos outros cortesãos
E as Condessas principiam a acreditar que nunca valsamos.

Miro-te com intensidade e nos irritamos.
Dizes que não queres jogos,
Então por que me escondes?

Amo-te, amo-te e queria que minhas cobranças
Fossem menos severas. Mas sigo sendo uma bruxa
E bruxas são cruéis.

Me arrastas sempre à floresta
E tuas garras violam meus segredos,
Mas mal me diriges a palavra.

Em momentos assim, restam os antigos fantasmas...

sábado, 15 de maio de 2010

A tola neve

"A dança das flamas cega meus olhos
insistentes, que não se desviam da fogueira.
Posso eu, o Inverno, abraçar as brasas?

Menina filha da neve, com um fogo ardente no peito,
teu hálito alimenta a combustão, desfazendo-te.
Te derretes pouco a pouco, tentando alimentar teu assassino.

Todos os filhos do frio têm uma pedra de gelo como coração,
por que quiseras tu ser diferente, sabendo que morrerias?
Sofro por ti, mas nada posso fazer.

Com a minha chegada, teus irmãos se vão.
Menos tu, que lutas contra esse fluxo de lágrimas
que estás te tornando.

Não posso apagar-me por ti, não posso, criança.
Por mais que me esconda atrás de morros,
o Tempo e os cânticos dos povos me chamam.

Vou matando teus pares um a um
e te vejo perecer sorrindo, estás feliz com meu calor.
Suspiro. Por que, tola, por que foste te apaixonar
pelo Sol da Primavera?"


O "Poema Sazonal" me fez lembrar desse.
Pronto, postei.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Poema Sazonal

Tenho os braços frouxos, pendentes.
Esta flacidez deve-se à tua ausência.

Não paro de sonhar. Não contigo.
Me afogo em um lago gelado
e te vejo. Não te culpo.

Tinhas alertado-me a respeito da finura do gelo.
Do nosso gelo.
Não era de verão nosso affaire,

Era de gelo.
De gelo e minha primavera quebrou tudo.

Eu sou a primavera tropical.
Creio que comecei a derreter-te
e tu és o inverno nórdico. (Não havia como aguentares)

Te sinto agora atrás de uma grossa
parede de gelo em estado de latência.

Não ouso tocá-la.
Não ouso nada.

Senti o frio e agora tenho medo.

Não que eu queira que sejas o verão
(O inverno tropical me bastava)

sábado, 1 de maio de 2010

A torre de mármore

"Quando cheguei atrasada à torre e descobri as tranças que a Princesa deixara para trás ao fugir com Cyrano de Bergerac, desesperei-me.
Arranquei-as da janela e me recolhi ao choro.
Quando inundei os campos e as vilas com meu rancor e deixei o solo infértil, as lágrimas secaram com as plantas.
E então me inclinei à janela e descobri as delícias de observar o mundo de um pedestal. Sem Príncipes, Cyranos, Narcisos ou Abismos.
Apenas as visitas eventuais de Ícaros, dos doces Pássaros da Noite tão sozinhos quanto eu.
Quando percebo que meu coração estúpido começa a ensaiar um Carnaval fora de época, troco o alpiste por chumbinho e fico sozinha novamente.
Melhor assim. Não devo esquecer que sou uma Bruxa e que assusto. Não devo esquecer que sempre haverá Princesas que usam gaiolas em vez de alpiste.
Não devo esquecer que estou em uma torre e, se me inclinar demais, será um longo caminho até o chão."

Esse texto é a origem de todos os textos envolvendo Cortes e Torres, para os que queriam saber.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Asfixia

Voltas para mim
em forma de sonho perverso,
perturbando minha noite com lembranças
de murmúrios do vento e tinta branca.

Sou comprimida por uma tecido quase roxo,
sujo de manchas. Estás ao meu lado
e podes me salvar do sufocamento,
mas percebo que é a utopia das tuas
mãos que me assassina.

Tão cruéis quanto o pano e as mãos,
teus olhos me perguntam
“sentes falta das aulas de dança?”

Sinto. Dançar sozinha não é mais
a mesma coisa desde tuas mãos e
tua máscara. Ainda quero arrancá-la.

Mas não te responderei, pois sei
que sorrirás em escárnio e abandonarás
o leito móvel sobre o qual estamos.

Prefiro ter tua crueldade a
não ter nem mesmo este sadismo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

No centro do nada

Eu tremia horrores e acho que você notou. Deve ser porque eu não tenho o Tato.

Depois de dias e semanas caminhando sobre brasas e nadando em geleiras, cheguei ao objetivo: o centro do nada.

Lá, fincada como uma bandeira de posse, estava a imagem de um deus que não é o nosso.

"Quem colocou isso aqui?" E só a simples ideia de alguém chegando antes de nós a um lugar que acreditávamos não existir me encheu de medo.

Creio que foi por isso que meus músculos ficaram tesos e meus pelos se arrepiaram. Olhei para você, esperando ouvir uma palavra de sobriedade.

Seu rosto estava todo molhado. Olhei para a abóbada sobre nós. Nenhum sinal de goteiras. Olhei para o chão a meus pés e vi marcas de pingos ao meu redor. Eu vazava água também.

Olhei de novo para o totem gasto de algum povo dilacerado como nós (se não o eram, o que faziam naquele lugar?) e tive a impressão de algo comprimido em meu tórax, onde deveria ficar meu coração se eu tivesse um.

Vim aqui buscar você, levar de volta para suas feras, para o povo que você deixou para trás.

E me escolheram entre os seus órfãos por eu ser oco e irredutível. Mas essa estátua de um material que eu não conheço me enfeitiçou e agora me sento ao seu lado para olhá-la e vazar até que só reste pó do que eu fui.

Sinto sede e provo de sua água. As gotas têm o sabor do oceano infindo que tive de cruzar para chegar ao nosso destino. Olho para o seu rosto (agora, mais vazio do que o meu) e me pergunto se esse travor vem de seu âmago ou é só mais um feitiço do estranho ídolo.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Não sei se foi você ou fui eu
Que me vi primeiro no baile.
Sei que eu dançava de olhos fechados,

Conformada com o fato de não haver um príncipe à minha espera.
Sei que eu girava no mesmo lugar e mordia os lábios.
Sei que achei sua máscara sem-graça.

Achei você tão comum...

Eu gostava de pensar que era a cortesã mais inteligente
A mais interessante. Acho que você pensava a mesma coisa de si
E creio que foi a nossa arrogância que nos aproximou.

Conversamos tanto, sem dançar. Pelo menos por um tempo, mesmo assim continuei surpresa quando você me pediu uma valsa.
Nunca passou pela minha cabeça que eu fosse capaz de permitir que você (logo você) me girasse pelo salão.
E eu lhe disse, diretamente, o quanto desgostava de sua fantasia

Nossas conversas eram frívolas, sempre tive a sensação de que bobagens eram tudo o que lhe interessava. Minha futilidade era tudo o que eu podia lhe oferecer.
Na verdade, não era segredo para ninguém que meu maior passatempo era estudar as bruxarias.
Mas, mesmo quando estava estudando-a, você nunca se interessou por mágica.
De nenhum tipo.

Não foi belo nem inocente o que houve entre nós.
Você queria dançar com alguém e eu estava cansada dos pares ocasionais.
Você me escolheu como um vestido ou um sapato.
Não. Péssima escolha de metáforas (Outra coisa que você nunca soube entender)

Quando escolhemos um produto há alguma coisa de encantamento, algo de mágico.
Houve alguma coisa de especial quando você olhou para mim?
Ou foi como um casamento arranjado? Com a carta com minhas qualidades boas e más e um pequeno retrato para provar que eu não era tão deformada assim?

Não importa. Agora não importa mais.
(Quem eu penso que estou enganando? Você pisou em meu orgulho)
E eu que me achava um pouco, só um pouquinho, sedutora...

Eu estava bem, girando no mesmo lugar e mordendo os lábios, sabia?
Eu estava bem, dançando com vários mascarados.

Sabe, o que mais doeu foi descobrir, ao me ver em um espelho, que sua máscara sem-graça era quase igual à minha.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Colar de pérolas

"Fui ao reino de Poseidon
e trouxe à superfície exemplares

de conchas marinhas.
Mesmo mortas e secas,

ainda guardava-as comigo
na esperança de que me dessem pérolas.

O deus zangado castigou meu furto
mandando do além(-mar) pedras salgadas

como lágrimas. Belas e tristes.
Quis jogar fora tal tristeza, mas,

egoísta que sou, furei as lágrimas das mortas,
uma a uma, e com elas decorei meu colo."


Eu não podia recusar um pedido especial, podia?

Bruxos

O corvo, que as Princesas juravam ser um rouxinol, continuou a visitar Morgana todas as noites. A bruxa, assustada com o súbito afeto morno, não teve coragem de trocar o alpiste por chumbinho. Assim, a janela da torre permaneceu aberta.

A cada noite, Morgana enxergava mais e mais o bruxo encantado, oculto sob as penas. E sentia mais frio quando ele alçava voo.
Chegou à conclusão de que bemqueria suas penas negras, bemqueria sua existência.
E ousou descer da torre, se misturar aos aldeões. Não entendia por que as donzelas olhavam com cobiça para o bruxo ao seu lado. Porque, por mais que Morgana estudasse o rosto sério de Merlin, via apenas o seu excorvo.

Mas, quando caía a penumbra, a bruxa voltava para sua fortaleza marmórea. Passava dias trancada e Merlin virava corvo de noite, voava até o poleiro e se queixava. Normalmente, quando Morgana enjoava de seu grasnar, fechava o vidro. Mas nunca, nunca conseguia por chumbinho.

Merlin queria que ela abandonasse a torre e passasse a se abrigar nele, mas Morgana tinha tanto medo...
Tinha medo de se debruçar demais e cair e medo de tornar-se desabrigada quando Merlin se cansasse dela. Ou ela dele.

Porque bruxos são assim, medrosos, Morgana decidia-se: ia até o fundo de seu quarto e corria à janela. Parava no parapeito.
Como saber que ia virar realmente mais um pássaro?

Merlin tinha que entender que ela nunca seria uma princesa.

Ausências

Me dói pensar em minhas falhas e meus vazios. Me dói lembrar de minha finitude.
Minhas ausências são como salas abandonadas de uma mansão em pedaços.
Passo minhas mãos por seus papéis de parede descascados e aspiro seu cheiro de mofo. Então, vem de dentro uma melancolia aguda, uma saudade do que não tive e do que não aconteceu.
Corro a medo, maldizendo suas correntes de ar e ressaltando o pó que cobre tudo.
Evito os cômodos por semanas, preferindo o calor dos jardins, mas de um jeito ou outro, volto a cruzar os corredores destelhados e buscar algo que esqueci naquelas salas.
“Não, não é possível. Não havia tanto pó assim...”

Ah, as ausências...

domingo, 5 de julho de 2009

Mascarados

"Quem és tu, se retirarmos tua máscara?" Pergunta-me
"Nada sou - te responderei - pois sou eu a máscara, sou eu o palco.
Denegri-me para que tu me amasses, porém não amas a máscara. Não amas quem realmente sou"
Vendi novamente minha alma por olhos que nunca buscaram os meus. Deuses! não aprendo com meus erros?
"Talvez ames o que me tornei agora, porém nunca descestes ao salão de baile, não é mesmo?
Imbecil! máscaras são por lá traje obrigatório!
Pare com isto! Não ouse tentar arrumar os cacos!
Quebrei-a! não te fez feliz no momento?
Quebrei-a e não sei usá-la mais."
E eu, que trajava as mais belas fantasias, cuja máscara era elogiada e invejada, me fiz em farrapos para igualar nossas vestes.
Estás feliz agora, Alice? ao mirar a porcelana despedaçada?

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Usura

"O que aconteceu?
O que eu quero?
Não sei. Não sei nada.

O que me falta?
Cadê você?
[Quem é você?

Cadê você,
com seu perfume, sua voz?
Cadê você?
Você, que comprou meu passado
[e roubou nosso futuro?

Cadê?
Você, que recolheu minhas lágrimas
e suas promessas numa ampola
e prometeu guardar como amuleto?

A porta do céu custa só uma moeda."



Esse poema foi feito para uma pessoa, mas acho que o postei por culpa de outra. Quem vai saber?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Gelo

As pessoas não me completam.
Não me derretem.

Me sinto um cubo de gelo,
de longe sou fria, compacta.

Mas é só se aproximar
e verá como eu sou cheia de vazios,

como eu sou frágil,
como posso queimar.

Eu mesma não me preencho,
não me basto.

Sinto falta do que eu não fui.
Sinto falta do que eu não tive.

Sinto falta de um passado que não existiu.

Porque não existem fotos dele.
Porque não existem relatos dele.

É como se o “eu” no qual sempre acreditei
fosse meus vazios.

Acho que, como o tal gelo, sou desagradável.
Em um primeiro momento, refresco,
te dou algum prazer.

Mas então, quando estou derretida, quando estou plena,
começo a queimar ou a ser inútil.

Inútil...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Retalhos V

"Nos cercamos de coisas mortas.

Nos cercamos de coisas mortas porque tememos as vivas.

As vivas um dia morrem.

E aí há o abandono."


Mostrei este poema a meu professor de yoga e ele redigiu uma resposta a este.
Porém, a resposta pertence a ele e não me sinto no direito de publicá-la aqui.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Retalho I

"A angústia sobe em ondas
como um monstro pegajoso
subindo pelo abismo que eu temo
[o meu abismo, a minha alma.

A angústia vem misturada com a náusea
e com as lágrimas secas que fazem força para escorrer.

Mas que angústia é essa, Maria?
A angústia da saudade de algo
que perdi há tanto tempo que nem mais sei o que é.

Que tortura é essa?
Que medo do monstro que já afugentei?

Guio minha criança até o armário
e lhe mostro que as bestas que teme,
uma vez na luz, simplesmente não existem.

A criança choraminga e me assusta:
vejo que a matei, pois sua realidade eram os monstros
e ela, – que tristeza, Maria – ela era eu."

Um poema um pouco mais recente, mas não tão recente assim.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

A canção da primavera

"O Rio de Janeiro é um labirinto
de ruas e morros.
Por onde escorrem e se perdem
sonhos, esperanças partidas
d’uma cidade sem passado.

Minhas esperanças escorrem
pelo rio Carioca.
Meus sonhos evaporaram
com o álcool da cozinha.

Meu amor platônico morreu.
Minhas imagens platônicas morreram.
Meus sonhos platônicos?
[Já fazem tempo.

Em tempos, sonho que,
depois do grande espetáculo,
dizes que me ama.
É patético
(eu sei)
É estranho
(nem nos conhecemos direito)

Te amei por conta da imagem
de bom moço que tinhas diante dos meus olhos.
Te desamei por conta da má vontade
da vida de me dar mais informações
condizentes com a minha imagem.

Digo que não te amo mais,
mas ainda escrevo um poema para ti.

Pensando no próximo verso:
“Espero que seja o último”.

É mentira.
Eu queria dizer “eu te amo”
todos os dias.

Eu queria ouvir
“eu te amo”
todos os dias.

Egocêntrico?
Eu sei.
Penso de forma egocêntrica.

Mas é primavera.
E eu queria ser amada.
Mas é primavera.
E eu queria ouvir
palavras doces.

Mas é primavera
e meus sonhos já secaram.

Minhas lágrimas ainda não."


Poema antigo, do ano passado. Amor platônico é um hábito meu, cheguei a esta conclusão. E isso muda alguma coisa dos meus amores? Nada.


Odeio o blogspot que não deixa as minhas "cavalgadas" direito.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Olhos vítreos

"Ninguém me vê
Ninguém me avisou
Não faz assim,
Não vai dar não.

O meu mundo em preto-e-branco,
Misturo as tintas, tento colorir,
Me embaraço na minha visão.

Me faço suspirar, que aflição,
E sair pra sessão,
Só pra fingir.

Vejo os outros brincando,
Eu gostando de ser tua sombra
E me multiplicar.

Nos teus olhos também posso ver
Minha tristeza te vendo passar.

Nessa sala fria,
Não há clarões, não há dias,
Depois de outros dias.

E no meu coração,
Passas em exposição,
Passas sem ver minha vigília
Catando a alegria que jorra pelo chão."

Sou apaixonada por Chico Buarque, estava apaixonada... Bien, é isso.